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quando descreve a prática da partilha na primeira comunidade. Antes
pelo contrário, com a sua narração, pretende falar aos fiéis de todas
as gerações (e, por conseguinte, também à nossa), procurando sus-
tentá-los no seu testemunho e incentivá-los à ação concreta a favor
dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento é dado, com igual
convicção, pelo apóstolo Tiago, usando expressões fortes e incisivas
na sua Carta: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu
Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros
do Reino que prometeu aos que O amam?
Mas vós desonrais o pobre. Porventura não são os ricos que vos
oprimem e vos arrastam aos tribunais? (…) De que aproveita, irmãos,
que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé?
Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem
nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide
em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome”, mas não lhes dais o
que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a
fé: se ela não tiver obras, está completamente morta» (2, 5-6.14-17).
GRAÇAS DO PADRE CRUZ SJ 87

