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sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, partido na
sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto
e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. Continuam a ressoar de
grande atualidade estas palavras do santo bispo Crisóstomo: «Queres
honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus
membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres
aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao
frio e à nudez» (Hom. in Matthaeum, 50, 3: PG 58).
Portanto somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-
los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do
amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é
também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a
reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.
Não esqueçamos que, para os discípulos de Cristo, a pobreza é,
antes de mais, uma vocação a seguir Jesus pobre. É um caminho
atrás d’Ele e com Ele: um caminho que conduz à bemaventurança do
Reino dos céus (cf. Mt 5, 3; Lc 6, 20). Pobreza significa um coração
humilde, que sabe acolher a sua condição de criatura limitada e
pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a
ilusão de ser imortal. A pobreza é uma atitude do coração que impede
de conceber como objetivo de vida e condição para a felicidade o
dinheiro, a carreira e o luxo. Mais, é a pobreza que cria as condições
para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, não
GRAÇAS DO PADRE CRUZ SJ 89

