Quaresma e o Sacramento do Perdão

Mensagem Quaresmal dos Bispos de Évora

 

Para uma melhor compreensão do ministério sacerdotal do Santo Padre Cruz e do seu grande e benéfico trabalho de confessor queríamos transcrever as palavras que os Senhores Bispos de Évora escreveram aos seus fiéis a propósito da Quaresma de 2006.

... Creio na remissão dos Pecados

Contra a tentação do desespero, de que o pecado é irremissível e não tem cura, está, e nos foi dada, aquela grata e consoladora certeza de fé e confiança na Misericórdia de Deus, que é infinitamente maior que o nosso pecado, por mais grave que ele seja.

A Misericórdia de Deus constitui um limite intransponível à força desagregadora e aniquiladora do pecado, como dizemos, no Credo: “Professo um só baptismo para a remissão dos pecados" e, no Símbolo dos Apóstolos: "Creio na remissão dos pecados”.

Deste modo, reconhecemos que Deus, infinitamente misericordioso, é maior que os nossos pecados, por mais numerosos e graves que eles sejam. Confessamos que Deus perdoa e deseja sinceramente perdoar todos os nossos pecados e que não há falta, por mais grave que ela seja que não possa ser perdoada a um coração verdadeiramente contrito, mediante o Sacramento da Penitência que Jesus Cristo confiou à Sua Igreja.

"Não há pessoa, por muito má e culpável que seja, que não deva seguramente esperar o seu perdão, desde que o seu arrependimento seja sincero" (Cat.Rom.1,15,5). Jesus Cristo, que morreu por todos os homens, quer que na sua Igreja as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que se afastar do pecado" ( CIC 982 ).

A fé na remissão dos pecados está ligada à fé no Espírito Santo e à fé na Igreja e na Comunhão dos Santos (cf. CIC, 976). Ao infundir sobre a Igreja o Espírito Santo, Jesus Ressuscitado deu à Igreja o poder divino de perdoar os pecados: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos" ( Jo 20, 22 -23 ). De facto, como diz S. Paulo: " tudo vem de Deus que por meio de Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação" (2 Cor 5,18).

Cristo enviou os Apóstolos para que "em Seu nome, proclamassem a todas as nações o arrependimento e o perdão dos pecados" (Lc 24, 47). E iniciou a Sua pregação dizendo: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho" (Mc 1,15). Jesus Cristo mostrou que a Fé e o Perdão dos Pecados estão ligados; e, por isso, nós confessamos:

- "Creio na remissão dos pecados" e "professo um só baptismo para a remissão dos pecados"...

… Crise e necessidade do Sacramento da Penitência

O Sacramento da penitência está em crise. Poucos se confessam e muitos comungam, sem preparação, sem consciência do que fazem. Noutros tempos, as pessoas raramente comungavam, sob o influxo negativo da heresia Jansenista, que via, na Eucaristia, um prémio reservado sós aos santos.

Hoje, as pessoas comungam muito, mas não se confessam, pois, prisioneiras da presunção de inocência, julgam não terem pecados e não precisarem de ser perdoadas.

Invertem-se valores, na prática rotineira, sem convicções e sem conversão, de forma que " quem não tem a coragem de viver como pensa acaba por pensar como vive". A incoerência, a fé sem impacto na vida, conduziram ao estado denunciado pelo Concílio Vaticano II: "o divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo" ( G S 43 ).

…Uma consciente, digna e frutuosa Comunhão do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo deve pressupor sempre um apreço e recurso periódico à Confissão ou Penitência Sacramental, em que não devem faltar as devidas disposições, entre as quais sobressaem o arrependimento sincero e o propósito firme de emenda.

 

Évora, 2 de Fevereiro de 2006.

+ Maurílio de Gouveia, Arcebispo de Évora

+ Amândio José Tomás, bispo auxiliar de Évora

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