
Notícias e testemunhos desconhecidos
Com data de 25 de Junho informa o P. Jalhay : No dia de S. Luís Gonzaga foi a Santarém celebrar os seus 50 anos de sacerdócio o bom Dr. Cruz. Houve missa cantada pelo mesmo na igreja do seminário, assistindo todos os seminaristas e gente de fora.
Ao almoço fez um brinde Monsenhor Reitor, a que respondeu o Dr. Cruz. Fez chorar toda a gente. Terminou pouco mais ou menos por estas palavras: "Meus queridos seminaristas, pedi muito para mim esta grande graça: - a de poder, à hora da minha morte, chamar irmão a S. Luís Gonzaga, e a de fazer nesse momento os votos do santo Instituto que ele abraçou".
E depois desatou a chorar, não podendo continuar mais. Não imagina V. R. a emoção de todos naquele momento.
Depois do almoço, veio ao meu quarto dar-me um abraço e confessar-se (o que faz sempre que me encontra em Santarém), e no fim tirou da carteira uma nota de 100$00, que ofereceu para a Escola Apostólica.
Ecos da Província de Portugal
Os apostólicos de 4° e 5° ano começaram no dia 8 o retiro de 5 dias, fazendo os restantes só o tríduo que terminou no dia de Santo Estanislau.
O P. Reitor tinha convidado o venerando Dr. Cruz de Lisboa a fazer as práticas ou as meditações do retiro dos apostólicos de 4° e 5°. Só pôde vir no dia 12 à noite, após um tríduo dado em Paredes de Coura.
No dia seguinte disse a missa da comunidade, à qual cantaram os apostólicos. Depois, a meia manhã, fez-lhes uma prática cheia daquela unção que lhe é tão própria, à qual assistiram alguns dos Nossos. Inculcou-lhes o amor à vocação, expondo os ardentes desejos que sempre tivera de ser da Companhia, e as esperanças que alimenta agora de nela morrer.
Retirou-se no dia 14 deixando-nos profundamente edificados com o odor de santidade que rescendem as suas palavras e acções, e com o grande amor que sempre mostra à Companhia e a todos os Nossos.
Ecos da Província de Portugal
Novembro-Dezembro de 1934
VOTOS DO R. P. FRANCISCO DA CRUZ na Companhia de Jesus
No dia 3 de Dezembro, fez os votos da Companhia (fórmula dos votos do biénio) o R. P. Francisco da Cruz, venerando octogenário e bem conhecido apóstolo dos meios pobres da capital. O desejo de pertencer à Companhia vinha-lhe de há mais de cinquenta anos; mas não o pôde realizar, por falta de saúde e pelas circunstâncias que seguiram à revolução de 1910. Constante sempre no seu anelo, obtivera do N. M. R. P. Geral em 1929 a licença de fazer à hora da morte os votos da Companhia, segundo a faculdade que o Sumo Pontífice Pio XI em 11 de Março desse mesmo ano concedera a Sua Paternidade. O R. P. Cruz contava então quase 70 anos. Tendo-lhe Nosso Senhor conservado a vida, mas encontrando-se já nos 80, suplicou ao Santo Padre a graça de poder fazer já os mesmos votos que Sua Santidade Pio XI lhe concedera fazer à hora da morte: «ut sibi jam in præsens liceat emittere eadem vota, quæ Sanctitatis Vestræ prædecessor concessit in articulo mortis emittenda», dizia a petição apresentada ao Santo Padre. Esta petição ia recomendada pelo Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa. Sua Santidade, quando lhe disseram quem era o suplicante e que tinha já mais de 80 anos, tomou o papel, notou que trazia a recomendação do Sr. Cardial, e que «era preciso não perder tempo e dar essa consolação ao bom velho». E sem mais escreveu por seu próprio punho a concessão, por estas palavras: «Pro gratia iuxta preces. Ex ædibus Vaticanis die 2º Sept. 1940. Pius PP. XII».
A cerimónia dos votos realizou-se em Guimarães, na missa do R. P. Provincial. Os jornais deram a notícia em termos de muita simpatia. Copiamos as duas locais seguintes. Diário de Lisboa, 5-XII-1940: «Entrou para a Companhia de Jesus, com autorização escrita de Sua Santidade, o Sr. Dr. Francisco Cruz, que toda Lisboa conhece e admira como o «Sr. Padre Cruz». na sua tocante simplicidade, impressiona vivamente tal notícia. Habituado a fazer o bem, sem olhar para trás, entendeu que, contra o mundo, ainda havia mais um passo a dar. Numa idade em que apetece repousar, porque as forças humanas têm um limite, o Sr. Dr. Francisco Cruz não se conteve e assim chegou ao derradeiro elo duma cadeia irrompível».
Diário de Notícias , 6-XII-1940: «Com autorização escrita de Sua Santidade, ingressou na Companhia de Jesus o rev. Padre Dr. Francisco Cruz, bondosíssimo sacerdote, estimado e conhecido em todo o país. A cerimónia efectuou-se no Seminário da Costa, sob a presidência do provincial, rev. Dr. Júlio Marinho».
Conforme o N. M. R. P. Geral explica em carta ao R. P. Provincial, os efeitos destes votos são os seguintes: «1º O P. Cruz fica sendo participante de todas as indulgências, sufrágios e graças que alcançam os Nossos que morrem na Companhia. 2º Lucra indulgência plenária e remissão de todos os pecados, em forma de jubileu. Não tem outro efeito canónico».
«Nem há razão para o P. Cruz, depois de fazer os votos, mudar de habitação ou género de vida, continua; antes é muito conveniente que permaneça completamente livre, para continuar ao diante o apostolado que com tanto bem das almas tem realizado até agora. Poderá contudo esse varão cheio de méritos, e que à Companhia se encontra ligado com tão grande vínculo de amor, ser alojado em nossas casas, quer ao fazer viagem quer ao fazer exercícios, quer em ocasiões semelhantes. Se vier a adoecer ou a sentir-se destituído de forças para trabalhar na vinha do Senhor, e manifestar-se desejo de viver nas nossas casas e entre os Nossos exalar o último suspiro, seria muito justo satisfazer a tão piedosos desejos».
ECOS / 1940 – Dezembro
1 de Outubro
Jazigo do Padre Cruz – Benfica
Celebração da Eucaristia ás 9 horas, seguida de visita individual ao Jazigo do “Santo” Padre Cruz.
“A quantos cegos, desgarrados longe do caminho da verdade e como que suspensos sobre um abismo, não restituiu ele a vista e abriu os olhos da alma pelos quais se vê a Cristo?
A quantos surdos, endurecidos pela infidelidade, não obteve este ouvido precioso que faz ouvir a voz dos celestes preceitos, a fim de que respondessem docilmente ao apelo de Deus que os convidava a recorrer à misericórdia?
Quantos corações feridos não curou da enfermidade, pela sua eloquência angélica e o fervor das suas orações?
Quantos homens amolecidos no pecado por uma longa negligência e, por assim dizer, cobertos de lepra, não purificou ele com os seus conselhos, exortações e expiações, porque a graça de Deus operava por eles?
Quantas almas já mortas, embora ainda animando um corpo, almas esmagadas e sepultadas sob o peso das suas faltas, não ressuscitou para Deus, levando-as a emendarem-se como se as tivesse chamado à luz?
Imitador admirável do seu Divino Mestre, fazia assim morrer ao pecado, por uma morte que dá a vida, às almas que ele encontrava, pelo contrário, mortas para Deus”.
Quem escreveu este elogio do Padre Cruz? O Bispo S. Máximo, há 15 séculos. Podemos lê-lo no Breviário, no Comum dum Confessor Pontífice.
S. Máximo foi Bispo de Turim. Assistiu aos Concílios de Milão (451) e de Roma (465). As suas homilias eram tão apreciadas, que até algumas, por erro, têm sido atribuídas a Santo Ambrósio e a Santo Agostinho.